Algumas Coisas


Mudei para http://www.aspasnatiaspas.blogspot.com/

Mais limpo, organizado e claro!

Já coloquei o "baú de melhores poesias" e estou postando lá. 

Confiram.



Escrito por Nati Pesciotta às 14h48
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serviço de transporte público = descaso

Fila e serviço precário para bilhete único estudantil em São Paulo

 

 

        Desde o começo de fevereiro não cessam as filas para compra do bilhete único estudantil nos postos da SPTrans, localizados nos terminais de ônibus de São Paulo. Os principais problemas são o número muito baixo de atendentes e falta de orientação.

         No terminal Santo Amaro, por exemplo, não é possível, durante o dia, levar menos de uma hora e 40 minutos para chegar a um dos dois guichês determinados a esse serviço . Na primeira semana do mês passado, o tempo de espera foi de até três horas e meia. Os dois guichês demoram no atendimento de cada passoa, pois quaisquer esclarecimentos que os usuários necessitem só podem ser dados lá. Alguns aguardam sua vez para só então descobrir como devem proceder  ou problemas no seu caso.

         Para ter direito à meia passagem nos ônibus (R$1,15), alunos e professores precisam solicitar na secretaria de sua instituição de ensino o envio de seu cadastro para a SPTrans. Feito isso, é preciso ir em algum dos postos de atendimento efetuar o pagamento. O bilhete é enviado para a instituição de ensino depois de alguns dias, cujo número depende.

          São necessários o documento de identidade e, se não for renovação, uma foto 3X4. O valor  é de cinco tarifas para o bilhete estudantil comum, ou 13 tarifas, para a carteirinha conveniada às entidades UNE ou UBES. Revalidar a mesma carteirinha, pagando o valor correspondente, é possível para as datadas até 2005 e fica pronto na hora. Há ainda outros procedimentos se o usuário quiser pedir aumento de cotas por estudar ou ensinar em mais de uma escola.

         Em meio a duvidas, a fila tem que se auto-regular e ninguém olha pelos idosos e pais de crianças pequenas. Por meio de cartazes em ônibus, a SPTrans sugere ao usuário “evitar filas”,  indo aos terminais que funcionam 24 horas fora do horário comercial - noite e madrugada.    

         Todos os bilhetes únicos estudantis do ano passado venceram em fevereiro. Enquanto o beneficiado não tem em mãos a versão de 2007, paga a tarifa inteira e não consegue fazer integração (uso de até quatro ônibus em duas horas, com uma única passagem) com o cartão descarregado. Uma viagem de três ônibus, por exemplo, ao invés de custar um real e 15 centavos, sai por 6 reais e 90 centavos.



Escrito por Nati Pesciotta às 13h06
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IMAGENS AMEAÇADAS

     As 1.500 pessoas sem-teto que organizaram e vivem no edifício da av. Prestes Maia serão despejados por ordem judicial. Os donos do prédio(avaliado em 7 milhões de reais), o vereador Jorge Hamuche e Eduardo Amorim,  devem 5 milhões de reais em IPTU e não têm a escritura do imóvel. Antes da ocupação, ele estava vazio, deteriorado e sendo utilizado para tráfico de drogas.

    22/02: Interferência de Brasília conseguiu adiar o despejo em 60 dias, inicialmente marcado para domingo 25/02.

-Sobre: Central de Mídia Independente http://www.midiaindependente.org ; Blog da Caros Amigos http://www.ocupacaoprestesmaia.zip.net  

-Mais fotos:http://www.flickr.com/photos/filipe_pix/sets/72157594500246263/ e http://fotolog.terra.com.br/prestesmaia:9

Abaixo-assinado contra o despejo: http://www.petitiononline.com/pmaia911/  

(Embora a reintegração de posse seja praticamente certa. Os 60 dias a mais são para transferência a novos acentamentos provisórios. Então haverá seis meses de prazo para a colocação das famílias nos programas CDHU ou COHAB. fonte: Fórum Nacional da Reforma Urbana)

 

*Imagens de 2006 e 2007

(A primeira imagem é do acampamento em frente à prefeitura, no Anhangabaúm realizado de 05 a 16 de fevereiro, que visava negociações)

(Crédito das montagens: Gira. Última foto:Filipe Bernat Julio)

 

    



Escrito por Nati às 03h26
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TALVEZ QUEM VEM COM TUDO ÀS VEZES CANSA

TAL VEZ BETE NÃO BALANÇOU

ÀS VEZES A FORÇA NÃO É TANTA

TALVEZ CHEGA SUA VEZ SUAS VEZES

O DIA FECHA FAROL QUEBRA CARA

TAL VEZ PLATÃO SE ACHOU BURRO

TALVEZ CÊ ACHE

O SOL O DIA O FAROL E TAL

VEZ OU OUTRA

 

Nati Pesciotta



Escrito por Nati às 13h43
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O choro da moça do ônibus

        Não era expulsão de mágoas. Eram sentimentos guardados com cuidado que, no limite, transbordavam em lágrimas.

        Não foi esquecimento do mundo. Foi pensamento no resto que não podia ver o desabafo quase ilegal.

        O sorriso tímido de despedida lamentava o lamento. Descerá degrau por degrau e ninguém lá fora saberá da vergonhosa recaída.

 

        Já dizia Cartola, “todo pranto tem hora”, em “Disfarça e chora”. Talvez fosse melhor se chorássemos mais e disfarçássemos menos. Só uma idéia (de difícil execução pra mim)...



Escrito por Nati às 19h42
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2007

E A ONDA INDA ANDA INDO...

 

        Reparei que esse blog (ou “esse espaço”, seria melhor), não tem nenhum senso estético (Talvez você já tenha reparado antes). Tentarei melhorar esse aspecto em2007.

        Outras dessas metas ridículas é gastar menos tempo na Internet, mas o planejamento visa não alterar a atualidade (questionável) daqui, e sim cortar as coisas inúteis. Se o blog será mantido, imagine o que faço (ops..  fazia!) na net...

 

 



Escrito por Nati às 15h59
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Nuvem de pernilongo

            Ninguém pensa em palavra. Pensamento é fluido, pó, fumaça. E tem que ser traduzido.

            As idéias, surgindo, passando e esvaindo da mente, são como pernilongos zunindo ao pé do ouvido.

            Todos meus mosquitos contribuem para minha biodiversidade. Mas os que valem a pena são os que consigo capturar.

            (A Amazônia tem 20% das espécies catalogadas. Não importa sua exuberância - o que consta para a humanidade é o registro.)

            Vistas por cima, as idéias são apenas um único conjunto. Uma luminosidade nebulosa. Aproximando-nos, elas tornam-se pontos de

 luz diversos.

            Como qualquer inseto, não deixa de ser irritante.

            Mas, depois do pernilongo morto na parede, a noite de sono ganha um gosto ainda melhor.

 

Nati Pesciotta



Escrito por Nati às 14h44
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Escrito por Nati às 19h59
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perfil - av Paulista 115 anos

Maluco

Natália Pesciotta

 

Existe um homem na Paulista que valoriza o bom humor - não porque não tenha dificuldades na vida. Quem é o

maluco?

 

Uma voz na multidão

            O petróleo e a energia acabarão. E tal previsão não é problema, mas sim solução. Porque todo mundo que pode vive em

 condomínio fechado e só anda de carro blindado. “Elas têm que sentir que a vida não é isso”, conclui Piauí Micróbio.

         Sua voz pode ser facilmente ouvida no ônibus lotado de caras cansadas e silenciosas ao final do expediente. Antônio por

 batismo, 42 anos, tem o “nome de estrada” devido a seu estado de origem e a sua “integração com a natureza”. Sem energia e

 sem combustível, os ricos vão ter que parar de se isolar, de acordo com sua teoria.       

 

Maluco

         Moreno, alguns fios da barba crescendo começando a enrolar, touca de linho na cabeça guardando os enormes dreads,

 Piauí diz ser brincalhão, mas ter projetos. “Meu projeto é você, é a juventude”. Ele quer publicar um livro autobiográfico que

 escreveu, tratando de drogas. O autor as deixou sem qualquer incentivo artificial, simplesmente por “descobrir a vida”. Não toma

 mais nem cerveja, e justifica:“Pra quê, se isso tirou meu sorriso?”. Ele busca lançar sua obra e abrir os olhos dos jovens,

 “colocando as palavras no lugar”:  “Maluco é quem é diferente. Quem usa droga, é viciado”.

         “E aí, doido?”, cumprimenta o motorista do outro ônibus linha Barra Funda 847P  ao ultrapassar o que leva Piauí. Como é

 de costume, o vendedor de artesanato seguirá  até o terminal, onde baldeará para casa, na Zona Norte.



Escrito por Nati às 15h56
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continuação

Hippie?

         A longa viagem de Piauí começou nos seus 15 anos, quando, alcoólatra,  deixou a cidadezinha de Picos. Em Salvador conheceu os hippies e a maconha e, mais tarde, no Rio de Janeiro, o crack. Além de todos os estados brasileiros, já pisou também nos países da fronteira. Piauí, que conhece todas as capitais brasileiras, diz amar São Paulo.

         Quem vê essa figura vendendo bijuterias naturais na Paulista que não se engane: Piauí não se considera um hippie. Antigamente era, mas hoje em dia se diz um “artesão”. “Hippie não tá pensando em nada, só quer cachoeira, montanha, beira-mar”. Piauí, além de um cabelo rastafari, tem trabalho, responsabilidade e projetos. Mas não é menos apaixonado pela natureza.

         Conta se preocupar com a ecologia. Percebeu uma boca-de-lobo vazando óleo ao lado do Parque Trianon e já tentou denunciar várias vezes. “Mas ninguém me ouve quando perguntam o que eu sou e respondo a verdade, que não sou nada”.

         Por ser ele mesmo também repara na reação de algumas pessoas. Umas fecham o vidro do carro quando ele passa, e outras evitam sentar ao seu lado no ônibus. Porém, depois de uma chuva forte no dia anterior, uma senhora aceitou sua ajuda - “Essas enchentes são ótimas pra ver as madames, sempre com medo de tudo, não terem medo de ninguém quando estão afogadas no carro.”

 

Estudos     

         Piauí gostaria de estudar jonalismo e fotografia. Estudou muito pouco porque sua mãe, com 22 filhos, não pôde lhe dar condições. Antônio, na infância, tinha um caderno que “apagava quando enchia” para poder usar de novo. Mas ele quer que suas filhas Babilônia, 11 anos, e Maraluara, 10, estudem. Por isso deu um tempo nas suas andanças pelo Brasil e fixou-se em São Paulo. “Depois que nascem, a gente deve viver para os filhos”.

         Ele e “a nega”, sua mulher, se conheceram num show dos  dos Titãs no Anhangabaú em 1993. Os dois foram embora juntos pra Manaus. Foi aí que ele largou as drogas. Viviam em Macapá antes de voltar, há quatro anos.

         A Nega quer estudar nutrição, e Piauí carrega a tristeza de não ter dinheiro para realizar o desejo. Mas não desanima pensando no futuro, no qual antevê o sucesso de seu livro - “Eu leio muito, sei ver quando um livro é bom”. Entre os autores que gosta, estão Sócrates e Platão. Na mochila traz “A Política”, de Aristóteles. Um de seus livros preferidos é “A erva do diabo”, de Carlos Castanheda.

         Outro sonho para quando tiver conseguido publicar o livro, chamado “Ex-escravo das drogas”,  é viajar o mundo, espalhando sua mensagem.

         Enquanto isso, esse homem cuja personalidade destaca-se na multidão pode ser encontrado em frente ao City Bank da Paulista, das 10h às 17h. É só procurar a placa de madeira onde se lê “Drogas: não vendo, não uso!” ou perguntar pelo “maluco” ou “doido”. O bracelete custa dez reais, mas se Piauí gosta do sorriso do freguês, dá um desconto. “O que importa é o sorriso. Muita gente que não tem nenhum motivo pra ser triste anda mal-humorada”, é mais uma de suas filosofias.

 



Escrito por Nati às 15h55
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O preço do desrespeito

É um abuso o aumento da passagem para 2,30 (15% acima do valor atual), sendo que, o serviço prestado é de péssima qualidade.
A maioria da população espera nos "horários de pico" de 30 a 40 minutos nos pontos de ônibus, quando conseguem embarcar, é em total desconforto.
Por falta de ônibus  para atender a população, muitos passageiros vão "pendurados" nas portas se expondo a acidentes e uma outra grande parte vai
 em pé durante todo o trajeto que dependendo da situação demora de 1 a 2 horas.
R$ 2,00 é muito caro para as condições que se encontra o transporte coletivo dessa cidade. Um aumento é simplesmente absurdo.
 
Faço minhas essas palavras, da Frente de luta contra o aumento do passe, vinculada ao Movimento do Passe Livre.
Eles estão chamando a cidade para uma manifestação quinta-feira, dia 30, que sairá às 18h do Teatro Municipal.
Quata-feira, 29, uma passeata marcada para às 10h irá da Praça da Sé até o Tribunal de Justiça, para entrar com uma liminar pública
 contra o aumento.
Sexta-feira houve um ato do mesmo movimento, terminando no Parque Dom Pedro, com conflitos com a polícia. Manifestantes asseguram
 que protestavam em paz. O Governador Lembo classificou essa manifestação como "partidária" e "localizada".
A UNE e a UBES fazem sua manifestação hoje, 28, a partir da Paulista.
 
O transporte público de São Paulo ninguém merece nem de graça. Talvez a maioria que votou no Serra até mereça..  Mas pagando, e caro,
 nem o pior inimigo...
A população que usa ônibus é justamente a que carece de serviços bons e de preço justo.
Chega das empresas privadas de transporte ditarem as regras e o governo simplesmente ajoelhar.
Abaixo a política que estimula o trasnporte individual, causando problemas ambientais e trânsito caótico. Abaixo a política de desrespeito
 aos trabalhadores mais "fracos".
 
 
 
 


Escrito por Nati às 16h09
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Êxtase

Cada partícula do seu ser se atirava ao corpo querido, sem que nem precisasse da ordem cerebral - que por sinal mandaria fazerem

 exatamente isso.

O encontro da razão com a emoção pintava tudo certo e lindo.

Não havia culpa, não havia medo, não havia dor. Talvez isso chamasse liberdade.

Agora entendia. Era pra isso que tudo estava aqui, afinal.

Todas as palavras e pessoas inúteis valiam as que significavam. O amor não era uma utopia..  E se for? Vamos rodar, rodar, rodar.

 Entendeu que podia soltar tudo, todos os átomos de ar do peito. Milhões estarão disponíveis para serem inspirados a qualquer

 momento. 

Livre, ousa girar, ousa dançar, ousa achar que nada disso é ousadia. Ousa até crer que todo mundo pode ser assim.



Escrito por --nati-- às 00h20
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Distância

             A menina de perfume caro sentada na janela nem viu entrar o moço de desodorante barato que posicionou-se de frente o seu acento. Ainda bem. Ele podia

 contemplá-la em paz.

            Os dedos dela empenhados em desenrolar lentamente um nó de fone-de-ouvido e colar chegavam a provocar um leve arrepio. As mãos não estavam feitas - ele

 nem reparava, para desconsolo das mulheres do convívio dele, sempre cuidadosas em imitar as unhas da novela. Assim como ela nem notou, ao subitamente levantar o

 olhar, na camisa Nicoboco que custara o trabalho de vários dias dele. A roupa não cobria seu porte preto e pobre.

            Empurrado pela inércia e desgastado pelo calor, o moço sacolejava enquanto percebia a leveza da menina empompada na cadeira.

            O espaço físico e de tempo iam passando, quantos pontos será que já foram?

            A velocidade dos dedos trabalhando não aumentava, e nem o nó parecia diminuir.

            Chegou a hora. Ela guardou sem pressa seu emaranhado, esperou o ônibus parar e desceu com sua beleza, passando pelos demais passageiros como se fossem

 obstáculos fixos. Desapareceu suavemente do campo visual do telespectador, mas a imagem continuou em sua mente, ela concluiu.

            Que mundo injusto. Como pode tanta lerdeza pra arrumar um fio? Se eu tivesse um Ipod, já estaria há horas ouvindo música, ele pode finalmente desabafar

 inconformado.

 

 



Escrito por --nati-- às 21h09
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Segurança

Luís Fernando Veríssimo

 

O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança.
Havia as belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança.
Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.
Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.
Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto.
Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá.
Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.
Mas os assaltos continuaram.
Decidiram eletrificar os muros.
Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar.
Mas os assaltos continuaram.
Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas.
Todas as janelas foram engradadas.
Mas os assaltos continuaram.
Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível.
Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas.
Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno.
Mas os assaltos continuaram.
Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaramse para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema.
Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos.
E ninguém pode sair.
Agora, a segurança é completa.
Não tem havido mais assaltos.
Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua.
Mas surgiu outro problema.
As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade.

A guarda tem sido obrigada a agir com energia.

Como diria o Rappa: "As grades do condomínio são pra trazer proteção Mas também trazem a dúvida se não é você que está nessa prisão"

Abaixo as pessoas grabers e haganas

MAIS : Ouçam Blues da Piedade - Cazuza



Escrito por --nati-- às 15h45
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Maranhão - 07/06

                                              

       

                                             

                                                                                                                                                                                  

                                                                                                                                                                  



Escrito por --nati-- às 00h59
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